Digamos que eu
tenha um mundo onde só eu sou personagem, minha vida é um intenso emaranhado de
sonhos que me separam da realidade, se sou personagem talvez seja um teatro e
não um mundo, mas em uma peça teatral não cai bem ao personagem estar sonhando,
então, voltemos a idéia de mundo.
Construo o meu
mundo de sonhos e me considero pertencente a eles, que me separam de uma
realidade na qual não quero nem preciso estar. Que seria do mundo se não fossem
belos sonhos? Que seria de uma noite de insônia se não existissem bons livros?
Edifico o meu mundo a cada dia com um sonho novo, hoje um, amanhã outro, depois
outro de novo, de novo e de novo, renovando, sendo inconstante.
Os sonhos me
fazem evoluir, a cada dia ser algo novo, diferente para que não me enjoe de
mim, sendo apenas eu, inconstante a cada dia diferente, tão diferente e
inconstante que possa daqui a algum tempo evoluir tanto até chegar ao ponto
de negar tudo isso!
E essa insônia que não quer me deixar, esse meu pensamento que viaja buscando você nos cantos mais sombrios da minha mente, você está nos lugares mais sórdidos, nas lembranças mais tristes, nos dias mais felizes que vivi. Nas horas comuns, na minha solidão, na minha angustia, nos sorrisos sinceros, amarelos e eu não consigo fugir, você está em minha mente, você está em todos os lugares, você preenche todas as partes, você está dentro de mim...
Alma cansada, vontade de dormir por três dias seguidos, alma sozinha, coração carente, a solidão é como uma faca a cortar minha alma, dilacera o meu peito quando me corrompe os pensamentos o seu paradeiro, onde está você agora além de aqui, dentro de mim? Não se sabe, eu nunca sei de você, eu nunca quis de verdade saber, nunca quis saber tanto como quero agora. Eu nunca quis querer você, eu nunca quis querer tanto, tanto como agora...