sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Identidade


   Digamos que eu tenha um mundo onde só eu sou personagem, minha vida é um intenso emaranhado de sonhos que me separam da realidade, se sou personagem talvez seja um teatro e não um mundo, mas em uma peça teatral não cai bem ao personagem estar sonhando, então, voltemos a idéia de mundo. 
   Construo o meu mundo de sonhos e me considero pertencente a eles, que me separam de uma realidade na qual não quero nem preciso estar. Que seria do mundo se não fossem belos sonhos? Que seria de uma noite de insônia se não existissem bons livros? Edifico o meu mundo a cada dia com um sonho novo, hoje um, amanhã outro, depois outro de novo, de novo e de novo, renovando, sendo inconstante. 
   Os sonhos me fazem evoluir, a cada dia ser algo novo, diferente para que não me enjoe de mim, sendo apenas eu, inconstante a cada dia diferente, tão diferente e inconstante que possa daqui a algum tempo evoluir tanto até chegar ao ponto de  negar tudo isso!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dentro de mim...

   E essa insônia que não quer me deixar, esse meu pensamento que viaja buscando você nos cantos mais sombrios da minha mente, você está nos lugares mais sórdidos, nas lembranças mais tristes, nos dias mais felizes que vivi. Nas horas comuns, na minha solidão, na minha angustia, nos sorrisos sinceros, amarelos e eu não consigo fugir, você está em minha mente, você está em todos os lugares, você preenche todas as partes, você está dentro de mim...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Nunca tanto como agora

   Alma cansada, vontade de dormir por três dias seguidos, alma sozinha, coração carente, a solidão é como uma faca a cortar minha alma, dilacera o meu peito quando me corrompe os pensamentos o seu paradeiro, onde está você agora além de aqui, dentro de mim? Não se sabe, eu nunca sei de você, eu nunca quis de verdade saber, nunca quis saber tanto como quero agora. Eu nunca quis querer você, eu nunca quis querer tanto, tanto como agora...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Não sei quantas almas tenho...


Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,                      
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Fresta

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

Fresta (Fernando Pessoa)

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."